terça-feira, 10 de junho de 2008

"Hello stranger"

"você me faz parecer menos só, menos sozinho;
você me faz parecer menos pó, menos pozinho"

E de repente, como se a sua solidão não fosse mais uma questão de querer sair dela, mas sim de haver a necessidade de não estar mais só; então tentava buscar nos olhares confusos das ruas, nas pessoas passando apressadas e aleatoriamente, a razão de sua existência. Sim, tratava-se de uma pessoa profunda, exagerada, de últimas conseqüências. E buscava razão na fumaça de um cigarro, no fundo de um copo ou na dureza de uma sarjeta. O sol lhe afagava o rosto, dando-lhe o carinho que ninguém se importava em oferecer-lhe. Mas o sol estava distante. Não mais que aquelas pessoas que ignoravam sua existência. E isso machucava. Doía como uma alma sangrando. E era inevitável e irremediável. Me dê um remédio para a alma. Foi o que pensou em dizer ao balconista da farmácia mais próxima. Mas sabia que não adiantaria. Parou no próximo bar e então fez o pedido. A bebida não o embriagava. Aliviava as dores e o fazia esquecer de si por alguns instantes. Era tudo que tinha: bebia. E quem o olhava não queria saber dele. Questionava sua moral, sua índole, e tudo que há de se questionar quando se trata de um bêbado-infeliz-que-podia-ter-tudo-na-vida-e-não-tem-nada. Bêbado infeliz é redundante. Enfim. Questionava-se tudo ali, mas não se chegava à questão-raiz. Ele bebia porque doía. Ele bebia porque queria um pouco de paz. Ele bebia porque amava sem saber quem. Bebia porque não tinha alvo. Bebia porque era o que lhe restava. Até o último gole.

5 comentários:

Darlan disse...

Há os que dizem que a linha entre a liberdade e o vício é muito tênue, e realmente é... quem dera se abebida fizesse a companhia que desejamos...
Texto forte e muito bonito! =)


Ah, eu adoro Closer e Zeca Baleiro! \o/

Abraços.

Escriba Eventual disse...

os pensamentos determinam muitas coisas, não é mesmo...o difícil é se livrar dos negativos (a respeito de sí mesmo, principalmente).
O seu texto fala de solidão...uma vez escrevi sobre a famigerada solidão. Creio que seja um estado de espírito (bem ruim).
Temos que tentar mudar os pensamentos, para que nos sentirmos parte de alguma coisa e não estarmos sós...
Fiquei feliz de vê-lo postando novamente!
abraço

Pequena Poetiza disse...

Passando passando encontrei e digo hello stranger =]

gostei de teu espaço e de teus escritos

e bem closer esse post

bons ventos

bjos

Diana M. disse...

Lido aceleradamente, em voz alta em uma só entonação derramando tudo em somente um gole fatal.
Sublime em seus tons de vermelho.

Paulinho disse...

"Bebia porque era o que lhe restava. Até o último gole."

A última vez que fique bêbado, eu tava meio suicida, eu falava com as pessoas que me pediam pra parar de beber: Sei que logo vou morrer, me deixa morrer em paz!

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ADOREI O TEXTO!


abraço.